A estranha origem do salto alto

agosto 5, 2013 em 42, Artigos e Notícias, Sociedade por André BIGBOSS

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Domingo à noite, melhor dia pra sair de casa, estrear aquela roupa nova, aquele relógio Rolex a prova d’agua ou aquele salto alto… não, péra… salto alto? Mas a descrição acima não era pra vestimenta de um homem? Acredite se quiser, os homens tem muita história com o amiguinho que hoje veste os pés das moças (em sua maioria) refinadas.

O salto alto, muito diferente da visão que temos deles hoje, está escondido nas lacunas da história desde o Egito Antigo onde, apesar de não provado, existem rumores de peças que relatavam o uso de salto alto como simbolo de status. Mas a tendência dos saltos era sempre ser substituído ou evoluído para uma plataforma que conhecemos hoje como tamanco, por isso ele apareceu e desapareceu diversas vezes em vários povos do mundo, principalmente no oriente. (Japão, China, Pérsia e etc)

Mas qual foi o “aparecimento chave” que deu origem a isso?

metal gear rising salto alto

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Tudo começou com guerra, isso mesmo, os tamancos tiveram origem por motivos BÉLICOS! – Século IX na Pérsia (Atual Irã), os cavaleiros tiveram a brilhante ideia de usar arcos em cima de seus cavalos, porém se depararam com um pequeno problema; a trepidação dos cavalos não os deixava tirar as duas mãos do controle do cavalo, já que ao faze-lo, eram jogados ao chão, estragando o arco, a cara, a honra e o orgulho.

sapato persa século 17

Sapato persa do século 17, feito de couro de cavalo e sementes de mostarda prensados.

Assim projetaram um calçado com uma espécie de haste que se encaixava no estribo, impedindo o cavalo de projeta-los ao chão com a mesma facilidade de antes. Dado a esse pequeno detalhe, o exército persa viria a ter a maior cavalaria do mundo.

Alguns séculos se passaram, os Persas e os Otomanos (Atuais turcos) iniciaram suas disputas por território. E como esperado do grande império Persa, estes levaram uma TACA dos Otomanos.

Sem muita esperança, os persas correram em busca de ajuda na Europa onde, talvez, aqueles homens com vestidos e roupas ligeiramente gays poderiam ajuda-los a, quem sabe, vencer a guerra contra os brutamontes Otomanos.

Obviamente os Europeus estavam muito mais preocupados com suas lindas túnicas de seda e ouro do que com a guerra, sangue e glória. Não à toa, os persas perderam a guerra e foram subjugados pelos otomanos. Mas não foi uma total perda para os Europeus, que ao observar  vestimenta persa, perceberam nos pés dos cavaleiros uma especie de sapato com uma plataforma na parte de trás.

Luiz XIV salto alto

Ano 1701, retrato de Luiz XIV usando seu salto excusivo

Rapidamente os nobres europeus adotaram o novo sapato como uma maneira de mostrar que tinham tanto dinheiro que usavam até sapatos estrangeiros (mais ou menos como você joga na cara dos seus amigos que não tem Iphone). Os sapatos não tinha utilidade para os nobres europeus, que não partilhavam dos mesmos problemas que os persas, não sabiam andar a cavalo (eles tinham carroceiros pra isso) e muito menos usar arcos, a unica coisa que sabiam fazer era se sentir acima dos outros, e nada cumpre essa missão melhor que um salto alto (excluindo as pernas de pau desse calculo, é claro).

Com o tempo a moda pegou e a plebe europeia aprendeu a fazer saltos. Sem alternativas para continuarem se sentido acima dos outros, os nobres decidiram aumentar o tamanho do salto para diferenciar-se da plebe. os saltos se tornaram tão populares que até o imperador francês Luiz XIV entrou na brincadeira. ele colecionava saltos altos de todos os tipos e praticamente criou uma “patente” do salto vermelho, proibindo que qualquer pessoa não autorizada os usasse.

Numa tentativa de se igualar aos homens, as mulheres começaram a adotar o uso dos saltos. Mas após a popularização do salto no meio feminino, eles se dividiram de pouco em pouco em masculino e feminino.

Os saltos masculinos tendiam a ficar cada vez menores e mais grossos enquanto os femininos ficavam maiores e mais finos. Até que em certa época os preceitos iluministas começaram a pregar a renuncia de decorações masculinas, os anéis, colares e adornos foram deixados de lado e os saltos masculinos acabaram desaparecendo e dando lugar a sapatos sem salto.

A grande massa parou de usar os saltos a medida que ele ia se espalhando pelo resto do mundo, agora usado apenas alguns grupos de mulheres. Aos poucos o salto começou a ser relacionado com a sexualidade,  por ter se tornado uma vestimenta comum entre prostitutas, até que por fim saiu de uso.

Após a segunda guerra mundial, os salto alto voltou a ser usado, uma vez que deu-se inicio a uma cultura de fotografias de mulheres nuas para agrado da população americana. Retomando a relação sexual dos saltos, os fotógrafos quase sempre faziam com que suas modelos os usassem nas sessões. Aos poucos o salto foi invadindo os armários das mulheres do mundo, influenciadas pela fantasia masculina. E as mulheres famosas,que em sua grande maioria apoiavam o movimento feminista que acontecia na época, não deixaram o salto alto de lado, talvez pelo fator histórico de igualdade que essa vestimenta outrora veio a significar.

Assim o salto chegou aos seus dias atuais, onde vai e volta ao uso pelo menos cinquenta bilhões de vezes ao ano. Então homens, tenham sempre em suas mentes que ao ver uma mulher de salto alto, ela está carregando guerra, ego europeu, movimentos feministas e modelos nuas em seus pés.

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O humilde grande líder da guilda mais egocêntrica da internet, aspirante a Designer, escritor meia-boca, amante de cafeína, "editoreiro" e "desenheiro" do site e relativamente retardado.

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